domingo, 19 de fevereiro de 2012

SHIVARATRI, A NOITE DE SHIVA por Jornal Prana

Dedique alguns momentos para refletir sobre o simbolismo e a força de Shiva.

No Shivapurana é dito que, em todos os meses, a noite anterior (12/fev) ao dia da Lua Nova (dia 13/fev/2010) é dedicada a Shiva. Essa noite é chamada Shivaratri, a noite (ratri) de Shiva. Uma vez ao ano, no mês de fevereiro/março, chamado magha, há um dia e uma noite inteiros dedicados a Shiva, chamados Mahashivaratri.

Esse dia é de orações, rituais, ascetismo e práticas espirituais. É quando novos sannyasis, renunciantes, são iniciados; pessoas que desse momento em diante se propõem a viver somente suas buscas espirituais. Na Índia, em todos os templos de Shiva, há uma grande comemoração nesse dia.

Shiva, na tríade védica, é o Destruidor, Transformador, ao lado de Brahma, o Criador, e Vishnu, o Preservador.

Não encontramos templos a Brahma, pois todo o mundo é seu templo, e o respeito à criação é o oferecimento de orações a Ele.

Nada temos a pedir, pois a criação aqui está.

Vishnu, o Preservador da criação, é casado com Lakshmi, a Deusa da Riqueza. Os templos dedicados a Eles, ou a uma das manifestações de Vishnu, como Rama ou Krishna, são de grande beleza e muito populares. A Ele é pedido o bem-estar, conforto, riqueza e bens materiais.

Shiva é o asceta. Ele dissolve a criação para o aparecimento de outra. Ele remove a ignorância para dar lugar ao conhecimento. Ele ajuda os ascetas, os yogis e os estudantes de Vedanta no seu caminho espiritual. Ele domina todas as disciplinas físicas e mentais. Freqüentemente encontramos imagens de Shiva em profunda meditação. Muitos se espantam ao vê-lo envolto em cobras e decorado com cinzas. A cobra simboliza o ego, o ahankara, que para Ele não é um problema. Para Ele, o ego é um alankara, uma decoração, pois Ele tem o conhecimento do Eu real, ilimitado. As cinzas representam a queima da ignorância e da ilusão. Os cabelos são compridos como os de um asceta, com um coque no alto da cabeça aparando o rio Ganges, que vem com grande força destruidora, para fazer com que esse mesmo rio saia mais tranquilo para abençoar os seres na Terra. Ao seu lado, em uma de suas mãos, o tridente, trishula, símbolo do renunciante, e na outra o damaru, pequeno tambor de onde partem os primeiros sons da criação.

Shiva é Ishvara, também chamado Maheshvara e Jagadishvara – o Grande Senhor e o Senhor do Universo. Ishvara é o Todo, toda a criação e a causa desta. Por isso Shiva também é simbolizado por um lingam. Lingam, em sânscrito, significa alguma coisa com a ajuda da qual você vê outra coisa. É uma indicação. Shivalingam é uma forma sem forma específica. Uma forma que inclui todas as formas. É o símbolo do Todo, que é Shiva.

No dia de Mahashivaratri os devotos passam o dia em atividades religiosas e espirituais. Ficam em silêncio, jejum e orações, e no templo há, durante todo o dia, até a meia-noite, uma corrente contínua de repetição do mantra Om namah Shivaya (Om saudações a Shiva). Durante o dia vários rituais são feitos. À noite é feito o arati (ritual simples com fogo e cânticos) e distribuído prasada (alguma coisa, principalmente comestível, que é oferecida no templo e depois dada a todos os que participam).

Durante todo esse dia e essa noite, Shiva, que significa auspiciosidade, é lembrado. Não só Ele, mas o que Ele representa: a dedicação total à chamada vida espiritual e à busca do conhecimento; a destruição completa da ignorância e quaisquer obstáculos que possam existir; a dissolução do devoto no altar da devoção, na chama do conhecimento da identidade da natureza de ambos. O devoto de Shiva alcança o bem absoluto que é Ele mesmo.

[i]Texto extraído do Jornal Prana, Ano I, Nº 1, de março de 1988, do Vidya Mandir – Centro de Estudos de Vedanta e Sânscrito, do Rio de Janeiro,
e digitado por Cristiano Bezerra em 27 de setembro de 2001.

Visite o site do Vidyamandir – Centro de Estudos de Vedanta e Sânscrito, da professora Gloria Arieira, em www.vidyamandir.org.br[/i]
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