domingo, 1 de janeiro de 2012

YOGA - MUITO ALÉM DA FILOSOFIA


Yoga, muito além da filosofia

[Entrevista com o professor Deo Ortiz para o Jornal de Londrina, em 07.11.11]


Alguns a encaram como elevação espiritual, outros buscam conquistar o corpo perfeito por meio dos exercícios. A ciência une os dois conceitos ao propor a prática no tratamento complementar de saúde


07/11/2011 00:00 Francismar Lemes, especial para o JL



Os alunos do professor Deo Ortiz (centro) buscam a ioga também para complementar tratamentos de saúde

Uma colisão de idéias separou o mundo em dois campos filosóficos, o Ocidente e Oriente. A ciência pode aproximar essa distância em alguns milímetros. A força aplicada para a reaproximação é a da experiência e a observação de casos em que práticas orientais, como a ioga, comprovam que são complementares às terapias tradicionais.

No mundo oriental, o Yoga está para a elevação espiritual, como para ser mais uma ferramenta dos esforços pela conquista de um corpo perfeito no Ocidente. Para navegar por esse universo em que o pensamento ocidental e do Oriente passam muito longe um do outro, mas que, por meio de práticas, como o Yoga, podem alinhar as suas órbitas, recorremos à explicação do médico londrinense do esporte Áureo Shizuto Cinagawa:

“O Yoga é uma atividade para ter ganho de algumas aptidões. Ajuda no autocontrole, na busca do silêncio, calma. As pessoas conseguem realizar as coisas sem muitas exigências do corpo e ficam menos sujeitas ao desequilíbrio. Hoje, estamos num mundo mais material e precisamos buscar o lado intangível, criativo das coisas. Os praticantes de Yoga ganham resiliência e capacidade de passar por intempéries”, avalia.

O próprio Cinagawa reconhece que por ter ascendência oriental é mais fácil compreender o pensamento do leste do mundo. Porém, a ciência deu um passo em nossa direção, desde que abriu portas para o Yoga em hospitais brasileiros, como o Albert Einstein. Pacientes também já saem de consultórios médicos com a receita de praticar as posições de meditação.

As novas aplicações do Yoga no tratamento complementar de câncer, obesidade, depressão, pressão alta, dor crônica, entre outras doenças, atrai a atenção de pesquisadores. O congresso deste ano, em Chicago (EUA), da Sociedade Americana de Oncologia (Asco), o maior e mais importante encontro mundial sobre câncer, apresentou uma pesquisa que revela como o Yoga ajuda a tratar a doença.

É nas aulas, como a do professor londrinense Deo Ortiz, que pratica há 15 anos Yoga, que as posturas de meditação transcendem a busca só de elevação espiritual para alguns e a do corpo perfeito para outros na direção também dos benefícios à saúde. Ortiz conta que tem entre alunos de várias idades, um garoto de 8 anos, que por iniciativa própria buscou o Yoga para melhorar da hiperatividade. “O interessante é que partiu da vontade dele fazer Yoga. Observo que o garoto está mais calmo. Os que nos procuram por questões de saúde são geralmente para complementar tratamento.”

Os alunos do professor Ortiz são profissionais das mais diferentes áreas, mas a maioria tem entre 25 e 45 anos. “Os que buscam o Yoga para complementar tratamentos de saúde conseguem melhorar. O Yoga tem sido recomendado para casos mais sérios. Principalmente em questões emocionais.”




Energia que ajuda na cura

Cinco mil anos de Yoga, mas só nas últimas décadas, no Ocidente, é que o equilíbrio entre a prática como meditação e trabalho corporal começa a encontrar o eixo. “Muitas pessoas nos procuram acreditando que Yoga é somente meditar. Aí se surpreendem. Outros acham que é somente atividade física. Quando começam as aulas as duas coisas se ajustam”, afirma o professor Deo Ortiz (foto).

Não é somente a mente e o corpo que ganham com o Yoga. Para os praticantes há bônus emocionais e energéticos. “Não dá para fazer somente meditação. O corpo é um veículo para estar transcendendo. Você precisa do corpo para se trazer ao momento presente. Existem coisas que estão perdidas em nós. A gente não vive o momento presente. O Yoga traz para o presente. Traz a consciência não somente da área corporal, mas é um momento em que se obriga a desligar do que está em volta, trabalhando a sua individualidade”, considera o professor.

Ortiz aponta que, tradicionalmente, o Yoga é um sistema filosófico de vida, mas que, fisicamente, também trabalha força, resistência, equilíbrio, flexibilidade e consciência corporal. “O Yoga regula as funções dos sistemas internos, como glândulas, os músculos e a parte esquelética. Não é o exercício físico pelo físico. Tudo o que acontece no físico se realiza no ser como um todo. O Yoga libera espaço. Liberando mais espaço no corpo traz mais prana, que é a energia vital. Quanto mais aberto o corpo fica, mais prana vou conseguir.

As posturas de Yoga, meditações, mantras e relaxamentos ativam canais energéticos. “Quanto mais energia absorve mais abrirá esses canais, auxiliando a cura através da circulação energética. Pessoas com problemas emocionais, por exemplo, liberam energia com os exercícios e se sentem melhores”, destaca o professor.


Em busca do equilíbrio

Na tradição hindu, Shiva é o criador do Yoga. Conhecimentos repassados, inicialmente, pela tradição oral, que chegou ao Ocidente para arrebanhar adeptos, como a terapeuta londrinense Nilvana Benedita da Silva, 46 anos.

Nilvana conta que há algum tempo pensava em praticar Yoga, mas adiava o início das aulas até que há um ano começou a praticar os exercícios. A terapeuta considera que sempre foi uma pessoa de clareza mental, mas o Yoga tornou a aptidão mais intensa. “É como se estimulasse uma parte do cérebro que não sabia que existia. Presto atenção nos movimentos, que não sabia que tinha, e o cérebro entende e estende para as tarefas do dia a dia. Tem ainda a parte terapêutica, ensinando a respirar direito. Você passa a prestar atenção na maneira de respirar e percebe que é mais agitado, conseguindo mais clareza mental.”

Serviço: Deo Ortiz, Aum Studeo. Rua Augusto de Souza Brandão, 35, próximo à Arel. Telefone (43) 3341-0270 . E-mail aumstudeo@yahoo.com.br
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