domingo, 29 de janeiro de 2012

ALÉM DA MENTE


Convém esclarecer logo que meditar não é sinônimo de refletir, raciocinar, pensar sobre alguma coisa ou idéia. É errôneo dizer, por exemplo: "Vou meditar sobre o que me disse". Quem reflete, especula, raciocina... não medita. Tais procedimentos chegam mesmo a antimeditação. Quem medita pára as suas funções mentais. A mente em meditação não trabalha, não atua, não opera, não funciona. Meditar é diferente de orar. Qualquer estado de torpor, sono, sonho, letargia ou hipnose também não é meditação.


Quando o meditante atinge o estado de samadhi, um transe de absoluto silêncio e quietude mental, mergulha na plenitude da paz, mas, mesmo assim se mantém alerta, consciente, vígil, aceso, em estado de puro apercebimento. É pura contemplação natural, silenciosa, quieta, plena, inocente e verdadeiramente muito feliz.

Na contemplação “quem” contempla? Não pode ser a mente tagarela, mas algo que a transcende, uma espécie de vigilante calado e isento, por isso mesmo, capaz de perceber os movimentos e mudanças, por mais sutis que sejam, que se manifestem na substância mental. “Quem” contempla é a consciência. Quando você medita quem contempla é o verdadeiro Você porque - eis uma constatação importantíssima! - Você não é a mente, mas a Consciência Suprema. Isso é para todo e qualquer ser humano... Por quê não?  Todos somos a mesma Consciência. Usamos o corpo, mas não somos ele. Usamos a mente, mas não somos a mente. Guarde bem essa verdade de máxima importância e infinito valor. Não seria essa a Verdade que liberta, que o Cristo mencionou?!

Mesmo na condição comum, enquanto a mente se revolve, rola e rebola, se entorpece, se agita, se inquieta, dorme e sonha... a Consciência permanece vigilante, sempre a mesma. No estado meditativo, porém, aquietada a mente, a vigilância se torna mais aguçada e eficaz, e a gente se delicia com a chance de acontecer o melhor, pela crescente e bem-aventurada aproximação com a Realidade Eterna, com o Ser, que cada um de nós é.

[Trecho retirado do livro “Setas no Caminho de Volta”- Sugestões para o Filho Pródigo - Coletâneas de artigos do professor Hermógenes, Ed. Nova Era, RJ, 2000].


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